sábado, 8 de maio de 2010

Frase solta II

Queria te dizer
muitas coisas,
mas
basta isso:
saudades.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Apontamento

Ao (Meu) poeta ... pensador,

Chamo-te assim porque na falta de uma classe te encerro momentaneamente.
Sei que não se limita a rótulos, és único a cada dia. Definitivamente feito de um silêncio perturbador. Sou tão pequena, que perto de você troco letras, abuso de palavras. E você tão você, me deixa frases condutoras... Perco-me no império do seu silêncio(às vezes hermético outras vezes indecifrável). Não te quero só para mim, não te chamarei mais “meu”, mas te darei um segundo (ou terceiro) eu. O de ser poeta, pois já és o que pensa que és, um poeta de tudo e de muitos (e será também o meu).
Aquele que escreve, lê e decifra no silêncio. Que faz do tenso silêncio um espaço para a palavra livre, numa outra dimensão,guardada. Agora eu entendo o sentir e o levar um silêncio pleno de você. É o que levo hoje dentro. Rego-me do teu silêncio para florescer (quem sabe) mais eu.

Sua Leitora

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Frase solta

Tenho tatuagens invisíveis
que só quem compôs
é que sabe
onde ficam
e que tamanho têm.

Descobrir, descoberta.

Alguns minutos depois do primeiro olhar de algumas ausências.
Com um leve inclinar por sobre aquele curto espaço é que ele vêm...
Não tinha como domar esse olhar.
Intenso.
Ladrão de segredos.
Leitor de almas.
“-Que olhar é esse?”’
“- Não sei. Esses são meus olhos.
Eles são olhos e só.”
Desvia olhar, cai ao nada, tornar a mirar.
Um meio instante.
Um meio sorriso.
Um leve passar.
“- Você tem olhar Via Láctea.”
Uma descoberta.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Diálogo de Pássaros II

- Você conhece meu repertório?
- Sim. Mas espero variações.
- As variações do silêncio??
- Não, esperei mais de você.
- ...
- ...
- Acho que não consigo te ler.
- É, acho que sim.
- Acho que precisamos entrar em fase.
- Concordo. Fato raríssimo.
- Será necessário um seqüestro astral.
- Talvez não.
- Porque “talvez não”?
- ...
- Porque “talvez não”?
- Alguém disse: “Te deixei ir para ver até onde chegavas. Não fostes nem longe nem perto. Nem em mim chegaste.”

(Silêncio profundo e um olhar demasiado.)

Diálogos de Pássaros

- Sabe, queria te entender.
- Já desisti disso: ENTENDER.
- Se pode também só amar?!
- Será?!
- Bem, muitas vezes te odeio. Me irritam muitas coisas em você.
- Um exemplo.
- Você sempre me faz ter razão.
Para não me enfrentar, silencia.
- ...
- Não disse!?!
- ...
- O que?
- ...
- Nada. Acho que falamos línguas diferentes.
- Será?! Pode até ser!
- Em que língua você me lê?
- ...

(A retórica já foi sua arte.)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Espejismo

Ocultas a lágrima corrente,
Soluçando sorrisos doloridos.
Imaginas sentimentos reais.
Cativas desejos sonhados.
Roubas o que podias ser teu.
Amas só o conhecido proximal.
Nunca permites que estrangeiro entre.
[Se descobre por negação?]