domingo, 28 de setembro de 2014

Versos arrumbados

[Así que como no los olvidé
tuve que aquí dejarlos
conmigo no hay más cómo..]

Soy trozo de mí
De deseos que soñé
Ecos de pasados espejos

Busco tanto a mí que me perdí
De estrofas partidas
sin vía de versos
sin versos de vía
que me lleven

en verbos conjugados a mano
en versos latidos a letras
en líneas les dejo
Sin rumbo
Sin calendarío
Con el arrumbo de los senderos bifurcados

Estoy de paso por mí,
Así que cuando me encuentre, me escribo
Así me tomo días
[llénome del tiempo de modos varios]

terça-feira, 9 de setembro de 2014

[Look At Me]

Quando não te miro ao lado
Sabes que o desejo de beijo não dado
é o que lança meu olhar
e me faz recusar a presença de teus olhos

[Look at Me]

Por sentir-te tão perto
O meu mergulho
é no teu peito aberto
Caminho perfeito
de tempo incerto

[Look at Me]

Para sentir-te tão perto
Basta tua pele e minha pele
Um estado de sentidos

[Here I am]

Encontro marcado
descoberto ao lado
Um olhar quando ao outro toca
O sorriso responde
e a felicidade invoca

[Look at me
Here I am]

Que não nos deixemos ir
Que possamos voltar
Entre tudo, entre tantos
Que voltemos a nos ver

[Look at me]



Uma receita de verso

Ao meu médico de poesia, Múcio Góes

A cada pílula, uma alegria,
sem ti não conseguiria, transformar vida em verso
e verso em fantasia
me receite sempre em tua doce letra
e viva a veia da poesia!

terça-feira, 19 de agosto de 2014

{Gauche no obturador}

Sou (da) linguagem
Sou (do) verso
Via precisa
de destino incerto.
Mas [hoje] vou de foto.
Outra grafia.
De diversa linguagem
estranho reflexo
dura cromia
de luz-texto

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Um café com verdades

Hoje  lhe procuro, não para respostas ou indagações ... Só mesmo para saber se tem algo a dizer.
Sou ouvidos e olhos atentos. Sei de seus silêncios comunicantes. Sei que falamos demais no passado, pelo menos sinto que faltou ação em nosso devir, mas - em coisas do passado - não se movem.

O que queria dizer... e que lhe digo: sinto sua falta. Você, se quisesse faria parte de algo que construí para  nós. Não se trata de algo a dois... se é que já houve um dois. Mas sim de alguém que queria por perto.
Um dia lhe direi, ou talvez nunca, pelas tantas cartas e poesias não audíveis que falo e escrevo:
hoje sei que você é uma boa parte de mim. Tudo que lhe reclamava, de certo, em mim saltava aos olhos como algo tão íntimo.

Queria compartilhar datas, se acaso tivesse espaço. Queria ter vivenciado mais a sua presença, o seu riso solto e debochado, o seu caminhar entre seguro e vacilante. De certo, tenho muitas coisas para lhe dizer, uma delas é que lhe amei. Não tive coragem de viver esse amor ou então não era o tempo dele.

Desculpa não ter ligado aquela vez, quando estava de viajem e num golpe do destino você me encontrou, (ou a coragem te encontrou,ou algo que não sei) e me ligou no meio da tarde, estava entre a faculdade e o hotel em outro estado. Um barulho danado, e quase não lhe ouvia bem, eu , com tantas coisas na cabeça. Querendo mudar tudo. Queria mudar de mim...

Você nem sabe, mas eu tinha que lhe dizer tudo isto.... Para poder seguir, sem lhe querer mais como antes... Tanta coisa mudou. Eu queria que você estivesse aqui. Não ao meu lado, como par. Mas que pudesse te ligar. Falar onde fui,  se voltei, que quebrei a cara...  E te perguntar e agora, que faco com isto? 
Quando fui quase dada pela tristeza convicta, queria o seu abraço desconcertado. O seu sorriso calado, mas não tive nada. Lhe entendo, ou melhor, não lhe entendo. E aprendi, assim mesmo, a amar. Um amor silencioso. Já fui para fora do pais. Tive contas só minhas. Falei com bichos estranhos. Tomei porres (não tão porres) de vinho. Vi praças lindas e, de sorte, não encontrei o mesmo frio que você me deu. Ainda que tenha congelado naquela estação perdida entre o centro e a escola. 

Eu entendi que ficou para trás. Que nunca houve um nós. Só alguém que ama alguém e que acabou. Mas não me arrependo de nada. Faria quase tudo de novo. Enquanto rodam os cafés, as memórias são passadas... Hoje só queria encontrar-lhe,  escutar-lhe. Saber de você, sem mais. Saber do seu tempo, mas acho que o tempo já se leva longe demais. Onde não estou, esse é o seu lugar. Ainda que a vida tente nos fazer encontrar e que só você me veja ou só eu lhe veja. Nunca vemos um ao outro. Quantas cenas serão feitas? Nem sei. Acreditamos em várias vidas. Tomamos banhos de chuva. Encantamos noites. Declaro saudade disto, do vazio que fazes.  O que não  consigo mais é arrumar só essas palavras soltas, este pensamento perdido, que lhe acha escondido nas entrelinhas da vida.

Não sei, mas sinto que algo mudou. Mas algo também está ai.
O modo repleto de perguntas e respostas, o estilo contido diante da vida.
Na verdade dei por finda esta coisa de "silêncios". Agora quero começar do novo de novo. Voltemos ao ponto de partida. Só queria dizer que você faz parte de minha vida, não posso te deixar para o passado. Queiras ou não somos flor, daquele jardim, e de Cecília.

Não preciso dizer, você já sabe.

Beijos

(Quando cheguei ao café encontrei tal texto dobrado ao lado do açúcar. De tão doce, só peguei um ristretto para completar a noite. Consegui ler o cortado, e, como se fosse verdade, meu ristretto virou cortado.)


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Cartografia

"E quando se perde o tempo
Se acha o lugar"


Neste descompasso
entre ser e estar
estado e projeto

segue o ditado presente

Cartas ao mar

não vejo onde levar o pensamento
Cartas ao mar
Pensamento ao vento



sábado, 9 de agosto de 2014

{ coisa de poeta, esse ser de lua}


Essa mania de ser nuvem
Ver verso
Ter de perto o sentindo
Me faz calendário
sem fuso
sem traço
me deixa gauche
diante de tudo

Nos olhos de criança
vejo a dança d'estrelas

Tudo, e meio mundo
se balança
no cometa
-traço do verso-
que saiu de perto
do seio
desta
indigesta
poeta