O silêncio que se impõem
Destoa de tudo que levo em mim
Mas entenda
E que estamos
Sensíveis
Sentidos
Sem riso
Desse tempo horrendo
Criado pelos homens
Somos tremendos
Somos rebentos
Somos, estamos vivendo, sendo
Sem sentidos
Sem motivos
(Claros)
Para dar canção
A esse mote (que não mata)
Mas desafina
E desafia
Minha vida
Meu verso
Minha escansão
domingo, 29 de novembro de 2015
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Atuante
Durmo embalada em versos
para poder amanhecer
E não me deixar partir
Atuo no seio da palavra quebrada
pois não tenho, ao certo
muito domínio da vida
sou espera quebrada
sou canção partida
De versão em versão
reclamo uma história
que não condiz
com a folia
de estar viva
em pé,
no topo
da poesia
para poder amanhecer
E não me deixar partir
Atuo no seio da palavra quebrada
pois não tenho, ao certo
muito domínio da vida
sou espera quebrada
sou canção partida
De versão em versão
reclamo uma história
que não condiz
com a folia
de estar viva
em pé,
no topo
da poesia
terça-feira, 28 de abril de 2015
A quase hora
Te dedico esta partitura
Esse verso que não declino
Essa versão sem estrutura
Me tomas
Te tomo
Não há revanche
Não há disputa
Quero descer-te
e compreender
em cada nota
enlaçar-me
no teu composto som
de modas de guitarra
não há nada a negar-te
Me tomes
O tempo arde
alvoroças as veias
deste coração fatigado
De cordas dedilhadas
De coris
corra
há parte de mim que voa
[Suena la Revancha, "esta es para vos"]
sexta-feira, 24 de abril de 2015
Mirante
Me desfaço
ao contemplar o espaço
Carrego calada
Esse cor desgastada
de ser luz e estrela
desse calendário
passado
não sou mais
que
soluço
asistemático
ao contemplar o espaço
Carrego calada
Esse cor desgastada
de ser luz e estrela
desse calendário
passado
não sou mais
que
soluço
asistemático
Ao passante sabor
Como sal
não há mais o que dizer
Caso não salgue algo
Melhor não mais escreviver
Sal que não salga
Deixando-se só ser
Começa, ao sereno, endurecer
Estou [estamos] a emudecer
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Rayos en las tinieblas
Eis que instaurado
o parágrafo duvidoso do silêncio
te convido:
vamos ao tango?
começo ou fim
não te leves de mim
"hay que saber mover los pies"
domingo, 5 de abril de 2015
Do ar de clarear
Como negas o doce,
mas procuras o beijo?
Sou tua penitência?
Em mim buscas
algo que em ti
não desejas?
A irmã dúvida
habita meu peito
sufoca meu leito
Não te dou o que não é meu
por puro e imenso
respeito
mas procuras o beijo?
Sou tua penitência?
Em mim buscas
algo que em ti
não desejas?
A irmã dúvida
habita meu peito
sufoca meu leito
Não te dou o que não é meu
por puro e imenso
respeito
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