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quinta-feira, 5 de março de 2015

As rotas da canção

Meu bem,

Queria dizer tudo isto a olhos vistos.
Não tive coragem. Parei no primeiro número. Não consegui dizer o que vinha sentindo.
Muitas foram as tentativas, mas o silêncio resolveu inscrever-se por meio de cada música que acabei de escolher.
Não sei se devo, gostaria de dedicar - e dedilhar - cada letra daquela lista.
Escolhi cada canção como para o nosso dia, e pelo que não se passou em todos os outros dias.
Cada faixa foi lançada ao nada ...e isto nós coloca mais próximos.
Espero que não se vá, ou que se for, que me diga aos poucos...
{Acho que é o que me dizes.}
{Não sei se precisas desse corpo, ou se queres ao certo, ter-me por inteiro.}
{Ou se quereres vir para mim e então ao entrar, me tomar por algo que tens.}
{Tenho dúvidas e sinto-me forasteiro dentro desse nós, que não tem local de estar}
{Como corpo transitamos, entre estados de estar e passar}
{Dói muito este corpo, dói mais ainda te tratar no espaço do vagar}

Mas se vier, - este é o meu desejo - que venha sem o silêncio tão comum, esse mesmo que tens ofertado-me.
Traga o verso que calei, traga a nota que desperta os sonhos.
Traga a si mesmo. Traga a leveza do passar.
Mostre o seu riso. Já conheces o pranto desse ser desconcertadamente sujeito imperfeito.
e
sem mais
declaro gostar de você.
que me fez lembrar de algo que levava dentro {por ser distinto de você, e , ao mesmo tempo, parecido... Querido e desejado ser ...
De carinho vivido. Doce caminho.}
Mapa-múndi a descobrir
tento respirar
e fim

Latitude e Longitude
(eis o nome do LP)

sábado, 4 de outubro de 2014

O brinco perdido

Chegava sem ruidos. Com olhos e mãos rápidas. Desnuda-se. A agua acalmava a sua mente. Perdeu-se por uns minutos na correnteza do chuveiro. Tantos pensamentos soltos podiam ter virado um amontado de linhas sem sentido, mas secou-se deles. Lembrou do livro que ainda não tinha terminado. Leu um verso, decorou o teto como se imaginasse a letra do poeta marcando o papel.

Deixou o livro, pegou o vinho e o papel. Na folha borrada de sono e pensamento havia algo que deveria ser escrito.

- Mas o que deve estar aí? - pensou longamente. `

Procurou caneta, ligou o som. Placidamente rabiscou algo no papel.
Ali mesmo pegou no sono. Horas depois, ao despertar, procurou coberta, viu a sala clara, a luz do som.... Pensou que dormia, mas era real. Pensou no brinco, onde estava? No quarto, no banheiro...

- Onde está? Será que perdi?! - com olhos apertados de luz tateava.

Não era possível. Entre o amargo negro e verde cítrico havia posto o brinco na mesa.

- Acho que sim. Só lembro da nota solta pelo ar... Olhos cansados e vermelhos.

Era um sono lento que abatia sua voz, e como não fala... Seu pensamento ficava rápido.
Lembrou-se dos instrumentos, de olhar a porta, de ver os músicos com pastas pretas...

-  Mas e o brinco? - Volta o pensamento aleatório constante.

Passou as mãos no rosto, nos olhos, nos cabelos... Decidiu levantar. Taça na mesa. Deixou a roupa pelo chão. Já era quase manhã. Entre no quarto. Apagou o relógio. Deitou e dormiu, com as mãos perdidas procurando entre os lençóis, o brinco perdido estava desenhando em sua mente.
 

sábado, 3 de agosto de 2013

Ao reino do escrito

Era um vez...

É assim
ficamos restritos
ao reino do como se
(quem nem é nosso
pois nada mais somos
que personagens de papel)
num tempo que se conta
pelo passado
(da dança de páginas)
pelo dado do tempo
(que mais nada ata)
ficamos
ficam
fica
fiando

fim


segunda-feira, 4 de março de 2013

O ramo da saudade

É assim a flor da saudade: o silêncio inundando as palavras faz de mim só sentindo.

domingo, 29 de julho de 2012

Ao olhar

de_nota silenciosa 
suspensa no ar
caída 
fluído estar
airosa
a palpitar
recomposta
a suspirar
brotas
de par em par




sexta-feira, 8 de junho de 2012

Embarque

- E quando eu for?
- Falta pouco?
- Não sei, que horas são?
- Há algumas horas... talvez.
- Não há muito o que sentir?
- Há sim, o que te habita além dá saudade?
- Quero sentir saudades... mas não só.
- Será que temos tempo?
- Talvez não, estamos a tempos.
- É agora?
- Falta pouco.
- Mas faz tempo... faz tanto tempo...
- É, já estou...estamos...
- ... estamos, fora de tempo.
- É isto ,agora, só há hora de destempo.

sábado, 3 de dezembro de 2011

raccourci


entre tantos
atalhos à parte
entre tantos
atos há arte

nós no bogart
alheias a tudo
buscando a parte
de ser atalho
entre nós e o mundo

[o boa arte do café destila aromas, atalhos para si e para o outro]

sábado, 29 de outubro de 2011

A entrega

Solidão
nem a um]
nem a dois]

dessa função
quero exponencial distância

onde anda aquela marca ?
guardada entre nada e tudo
ficou o espaço vazio da lembrança.

o coração dança
abatido no peito

não há como
não há preceito

[me foge
qualquer coisa]

entre tantos entres
o espaço resolveu visitar o tempo
e naquele frio, se marcou uma ausente presença.

punctum. punto.



A câmara escura

puntos suspensivos. punto final. punto. punctum.

domingo, 9 de outubro de 2011

tUDO y nADA

Não sabia o que tinha nas mãos, até que tempo certo encontrou-me

e cheguei na parte mais real do sonho...

Te ler, de peito aberto e olhos fechados...
[ um estranho sentido.]

Tua espera valeu muito. Cada página esperou olhos amadurecidos.

E cá estou, bem próximo a ti.

Só desde aqui descubro que posso vibrar-te.

Eu vibro [em tuas linhas].

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

a pá virada e outros poemas

Anunciou-se que viriam eles,
todos juntos, retratados
[(Mas)vieram soltos]
Folha a folha
entremeados por uma canção
dissoluta letra
dissolvida ação
e partes dos poemas
nem vagas são


quinta-feira, 14 de julho de 2011

enredando

Pois nessa rede
a tecelã aponta
o novelo se remarca
[nada é por nada]
tudo se acerta
não há ponto
que vão repasse
aquela reta
a nossa rede
se cruza
difusa

domingo, 8 de maio de 2011

Arrecadando forças

Com tanta coisa para te dizer agora, basta uma: tudo passa. Não é só uma canção. Não há nada para dizer. Sou muleta, a força esta em sua mão. O leme esta por aí, deixe estar, descobrirás a direção. Leva tempo, mas não digo nada, ele desenhará a carta e colocará a mão. "somos fortes", justificativas não existem. Leva tempo para renascer. O tempo e a distância vão apagando para fazer nascer memórias. "já é um ponto a menos".Sou muleta, a força esta em sua mão. E você já me ri, sabendo que faz parte o riso do choro, e eu já me rio. "e ficamos leves".

sábado, 29 de janeiro de 2011

Passeantes

- Voltou?
- Nem foi!
- E agora?!
- Nada mais.
- E sabe o que mais?
- Nada.
- O que sentes?
- Algo que caminha e consome.
- Podia acontecer?
- Não estava planejado.
- E se planeja?!
- Tentei. Tentamos.
Tenho desejos ou intenções...?!
Não sei.Não queria.
- Novos planos?
- Novos velhos planos.
Há um grande espaço para a mudança.
- E quando chega?
- Amanhã. Hoje, nem sei.
Por esses dias ela aporta.
- E esses olhos? Para onde vão?
- Nem sei, transitam...
- ...
- Um verso defendido por um olhar...
Chegou o golpe da graça?!
- Nada posso fazer além de apenas estar.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Sob o tablado e seus espaços

É tarde.
E arde.
Se marca [o passo]
Se marcam [as páginas]
Dessa entrançada ação.
Sem direção geral
Com co-autores
De atos distintos
Nos entreatos
Marcamos a peça
Que propõe
O destino
O desatino
[Por nós]
Dos desalinhos
[sob nós]
D’um dual
Duelo.

domingo, 1 de agosto de 2010

O Ecoado Silêncio



Ao voltar os olhos para baixou deixou marcada a hora. Aquela era a hora do silêncio. Era isso que já sabia reconhecer depois desse pouco tempo. Parou, sorriu lentamente e abaixou os olhos como que gritando pelo silêncio. Silenciou com um sorriso e um olhar.

Por onde marcar essa linha tão circular? Buscava um silêncio distinto. Buscava o singular. Estavam no plural. E já era sentida a hora. A hora arrepiava-lhe solenemente a nuca indicando uma esperada surpresa.

- Que fazer? Como fazer parar?

Foi ai que se lembrou.

- O olhar.

E se deu descaradamente a ressaca dos mares, como sem querer baixou os olhos e levantou a guarda. O silêncio, amigo querido, voltou a imperar.

Mais uma vez, por murmúrios, tentou-lhe falar. Mas que nada. Com seu leve passar por um canto de olhar deixou inclinado o rosto. E tornou a respirar.

- Não quero palavras. Quero o silêncio. O silêncio repleto de pensar.
As palavras turvas fizeram-lhe levitar pelas correntes de ar. E tornou-se sopro de silêncio, corrente de ar.
A ressaca dos mares ecoou o silêncio. O silêncio de estar.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Questões do tempo



Com uma letra, um número e uns sinais mostrou-se o que se pode sentir, dizer ou escrever: que o ontem e o amanhã são relocações do hoje. Vemos então que o hoje é o ontem e o amanhã e tudo o que fazemos hoje é futuro e passado.

(Assim explicamos o fato passado, que no presente foi descrito e no futuro será lido. Será que isso da matéria? Aponta o mote. Tenta sorte, marca ou não marca, sai a frase, recorda o número. Sai a letra, assim tentamos fazer canção... )